MJFanForum Radio

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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Marc Schaffel, Debbie Rowe, Ian Thomas... estivemos lá!

Foi em um hotel na zona sul de São Paulo que mais um sonho meu se concretizou: conhecer uma pessoa que foi tão próxima e ligada a Michael Jackson.

Toda a equipe do MJFanForum (nossa página de traduções de MJ do Facebook) estava presente para o acontecimento. O que sabíamos até então, naquelas 14h da tarde de quinta-feira, é que Debbie Rowe, ex esposa e mãe dos filhos de Michael Jackson, Marc Schaffel, antigo produtor e diretor de Michael, e Ian Thomas, o novo astro teen nascido na Bélgica, estavam em uma coletiva de imprensa no primeiro andar, logo acima do saguão. Marc e Debbie estão empresariando a carreira do cantor, e este foi o principal motivo de sua vinda ao Brasil com o artista. Vimos a equipe da emissora Band e da RedeTV! Indo embora, o que diminuía a distância de tempo entre nós e o casal.

Depois de cerca de 02 horas de espera (um tempo fora do hotel e outro do lado de fora da sala da coletiva) o próprio Marc Schaffel veio até nós, nos cumprimentando com um grande sorriso e disposto a autografar nossos pôsteres de Xscape, livros e

revistas de MJ! Tiramos muitas fotos e tivemos todo o tempo que queríamos junto a ele.

Neste tempo, que creio que durou de 10 a 15 minutos, conversei com ele sobre o que ele achava do Brasil e aonde tinha nascido. Ele me disse que adorava as praias, o clima e a comida do nosso país, e que era nascido em Los Angeles.


Mesmo após termos conhecido Marc, pensávamos que o mesmo não aconteceria com a Debbie, pois ela ficaria na sala de coletiva com o Ian.

Porém, cerca de meia hora depois, aparece o casal vindo em nossa direção, posando para fotos da emissora de TV E! e nos cumprimentando. Ela adorou nossa presença, era visível em seu rosto e reações. Enquanto ela autografava nossos materiais, eu lhe disse que havia assistido um vídeo aonde ela cuidava de cavalos (clique aqui pra assistir). 


Ela me respondeu que os animais eram dela, e que moravam em seu rancho. “O Rancho Painted Desert?” eu perguntei. “Exatamente,” ela respondeu. Foi quando nós lhe presenteamos com um ursinho de pelúcia e um coração vermelho de pelúcia, este último para Paris, e ela se emocionou e abraçou cada um de nós enquanto chorava tenramente. Todos nós nos emocionamos junto a ela. Terminando nossa conversa, ela nos convidou para visitar o rancho, “preferencialmente em abril ou maio, na primavera, já que moro no deserto e é um calor insuportável,” segundo suas próprias palavras.

Pouco tempo depois, os responsáveis vieram nos chamar para adentrar a sala da coletiva e conhecer Ian Thomas, o novo astro teen que eu havia assistido no clipe de Another Round, no YouTube, dias antes do ocorrido.


Ian foi extremamente gentil com todos nós e troquei rápidas palavras com ele a respeito do Brasil. Ele disse amar o país, e que adora a comida daqui. Para nossa surpresa, ocorreu um sorteio para ver quem levava seu CD autografado Gametime, e a Cintia, administradora da página, foi a sortuda.


Enquanto todos estavam fotografando e interagindo com o artista, tentei puxar mais umas palavrinhas com Debbie e Marc, e o papo foi mais ou menos assim:
Eu: E a Paris, como tá?
Debbie: Tá bem, ta estudando bastante.
Eu: Ah sim... ela ainda quer ser atriz?
Debbie: Não, ela tem que ser médica! Não atriz.
Eu: Ah, mas ela chegou a fazer um filme, não? Lundon’s Bridge...
Debbie: Ah, mas nunca saiu esse projeto, ficou só no papel.
Eu: Ah, pensei que o filme não tinha vindo para o Brasil.
Debbie: Não, nunca saiu.
Eu: Que pena...

E a pergunta clichê que, embora seja mesmo clichê, não poderiam deixar de fazer aos três convidados. Qual sua música favorita do Michael Jackson?
Debbie: Smooth Criminal!
Marc: [após pensar um pouco] Stranger in Moscow ou She’s Out of My Life.
Uma das duas!
Ian: [após ser questionado por Debbie] Stranger in Moscow!

Foi um dia incrível, nos despedimos de todos extasiados e mal podíamos acreditar em quem havíamos conhecido poucas horas antes. Eu estava surreal, havia acabado de conversar com Debbie Rowe, e um papo bem informal, nada muito restrito ou temático, foi de fã para fã. Como sabemos, ela está proibida de comentar sobre Michael ou a custódia dos filhos com a imprensa, então toda vez que citávamos o nome de Michael, ela acaba por ficar em silêncio. Mas nada que impeça nossa felicidade de transbordar aos termos contato com a mãe dos filhos de MJ, que lhe deu tamanha alegria e satisfação anos atrás!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Video clipe de A Place With No Name!

Então, foi que o Twitter oficial de Michael Jackson lança finalmente o esperado vídeo clipe oficial de A Place With No Name...

...faixa de Xscape primeiramente vazada na web em 2009. Abaixo trago novamente um review da faixa, lançada no álbum Xscape deste ano, e logo depois uma breve análise do curta metragem.


A Place With No Name (ou A Horse?) - música

Ainda em 2009, pouco após a morte de MJ, pudemos ouvir uma breve versão demo, vazada pelo site TMZ, desta canção, algo
em torno de 24 segundos que trazia apenas o refrão da canção, até então, desconhecida.

Após entrevistas e notícias, comprovou-se o que já se suspeitava: o nome, assim como o ritmo e a melodia do trabalho, havia sido retirado e inspirado na faixa "A Horse With No Name", clássico de 1972 da banda America. A banda, é claro, sentiu-se honrada ao saber que Michael havia gravado uma música inspirada em seu trabalho e torceu para que o Espólio do artista logo soltasse a versão remasterizada para todos os fãs de MJ.

Na versão pós trabalhada pelos produtores, o (praticamente) sample da música da banda foi excluído, dando lugar a nova instrumentagem e sonoridade, permitindo que a voz de MJ, mais uma vez remasterizada e em alta definição de som, pudesse passear melhor e se enquadrar na canção como devia.
Sabendo como Michael sentia-se orgulhoso de ser pioneiro em diversos campos e que jamais lançava trabalhos inacabados, duvido muito, se vivo, que ele lançaria a versão demo (que é quase um copy+cola da música da banda America) como material inédito, portanto os produtores fizeram um bom trabalho na remasterização da faixa.


A Place With No Name - vídeo clipe

Conceito
O curta procura manter o clima de mistério que a letra traz, de Michael dirigindo seu jipe (sim, ele diz mesmo que é um jipe na música, tanto que um carro da marca Jeep estampa o curta) em uma estrada quando acaba com o pneu furado. A procura de uma ajuda, uma estranha neblina toma conta da estrada e uma misteriosa mulher oferece ajuda ao forasteiro desamparado, o levando a uma cidade perfeita, intocada pela maldade humana, aonde crianças brincam com inocência e não há nada a temer. Porém, Michael diz ao fim da canção não poder ficar com a garota pois tem uma esposa e filhos lhe esperando em casa.

Cenas
A edição do vídeo traz cenas inéditas e outras já utilizadas de Michael solo do vídeo clipe In The Closet, como também do making of do material. Compreensível, já que In The Closet nos oferece um Michael afastado da civilização em um deserto distante.
As cenas originais foram gravadas em Salton Sea, na Califórnia, e reutilizadas para o lançamento do novo clipe.
Uma garota (que inclusive lembra em alguns momentos Naomi Campbell, modelo que participa do vídeo original de 1992) aparece dançando sensualmente junto ao motorista (que não é Michael, é claro, mas representa o condutor perdido da letra) em meio a praias
Cena extraída do making of de In The Closet,
utilizada no novo lançamento
e cenas longínquas.
As cenas não trazem um relato totalmente preciso a que MJ canta na letra de A Place With No Name, inclusive altera até alguns trechos do que é narrado por MJ em uma sua estranha parada no acostamento desta estrada, mas demonstra com maestria o clima misterioso e pega emprestado certos elementos, como a neblina e o jipe.
Essas alterações de cenário e situações (a ausência da cidade citada na letra e a garota entrar no jipe, que por fim não tem pneu furado no clipe, entre outras) acabam por não combinar ou bater com o que Michael canta na canção, o que dificilmente ocorre em curtas metragens anteriores lançados quando MJ era vivo.

Recepção
Os fãs de modo geral adoraram o clipe, mais por conter cenas inéditas de Michael do clipe In The Closet e momentos felizes que ele viveu durante o making of, vestido com sua jaqueta fina vermelha. Os críticos ainda não iniciaram seus artigos a respeito, porém o tweet já reúne mais de 30 mil retweets e likes, o que, como de costume, mostra como MJ ainda é adorado e venerado por milhões de pessoas ao redor do mundo.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Xscape é o novo álbum de Michael Jackson!

Ao contrário do que foi o álbum póstumo anterior lançado em 2010, Michael, cheio de dúvidas, músicas recicladas e boicotes, "Xscape" presta verdadeira homenagem e tributo ao artista Michael Jackson. 



O álbum em sua versão Deluxe possui dois discos: um com as demos mais cruas e inacabadas, do jeito que Michael deixou em estúdio, e o outro as mesmas, posteriormente trabalhadas e remasterizadas pelo time de produtores reunidos por L.A. Reid. Já a versão simples conta apenas com o disco novo.



Como fã, devo reconhecer, em primeiro lugar, de que álbum póstumo nenhum será tão perfeito ou atingirá o grau de excelência de quaisquer álbuns lançados em vida por Michael. Até porque, o que o tornou mito eterno, foi sua perspectiva no estúdio, seu ouvido genial para produção das faixas, seu dom de trabalhar com as instrumentagens e, é claro, seu perfeccionismo constante que tornava seus trabalhos verdadeiras obras de arte. Em meio a estes trabalhos, várias faixas foram deixadas de lado, faixas estas consideradas pelo próprio Michael não boas o bastante para fazerem parte do repertório de algum disco seu, sendo arquivadas e guardadas em algum escritório ou estúdio da gravadora. Logo, seria presunção minha dizer que Xscape ficou excelente tendo em vista que é um conjunto de faixas remasterizadas que o próprio Michael Jackson em vida não considerou dignas de lançamento em seu nome. É claro, por se tratar de MJ, qualquer canção ou trabalho, mesmo que inacabado, é bem vindo, pois continua sendo a obra de um verdadeiro gênio e artista multi talentoso, qualidades estas quase extintas no mundo musical atual.


Abaixo, através de minha visão como fã e conhecedor das demos anteriormente vazadas das canções, deixo minha opinião analítica das faixas do álbum. É bom manter em mente que as músicas remasterizadas já foram lançadas com o propósito de serem diferentes, tanto em melodia quanto em efeitos sonoros, das demos vazadas que nós conhecemos, afinal elas foram mantidas no disco em uma edição de luxo especial, e não teria sentido fazer ambos discos soarem parecidos, com a mesma tracklist.



01. Love Never Felt So Good


Arquivada do álbum mais vendido do mundo, Thriller, no ano de 1982, a música conta com duas versões: uma solo, apenas com Michael nos vocais, e outra com o já merecedor do título de Príncipe do Pop, Justin Timberlake, dividindo a canção em um dueto póstumo bem trabalhado e sincronizado (no vídeo).
Novamente, (lembra da primeira vez com "This Is It"?) o cantor sucesso nos anos 60 Paul Anka entra em cena em relação a Michael, pois os créditos da composição são divididos entre ele e MJ.

Justin relatou recentemente que Michael pretendia fazer um dueto com ele no inicio do ano 2000, porém o Rei desistiu quando soube que, além de Justin, o dueto seria gravado com a boyband *N Sync inteira, e ele gostaria que fosse apenas entre os dois, por isso não houve acordo.

Embora a música (solo ou dueto) não tenha quase nenhum vestígio de melodia ou sonoridade da demo vazada anteriormente na web (ouvir apenas a voz de MJ acompanhada de um singelo toque ao piano é o máximo), o estilo pop agitado, porém refinado, já característico de sucessos de Timberlake, casa bem com o vocal sensual e ingênuo de Michael, afinal, em suas próprias palavras apaixonadas para uma amante, amor nunca lhe fez sentir tão bem. A meu ver, tendo em vista a demo mais crua que tivemos acesso pela internet e que foi mantida no CD de extras da versão Deluxe, Michael nunca teria tido intenções reais de lançar esta música, ou, se tinha, regravaria os vocais quando tivesse chance, pois nota-se de longe que ele está cantando despreocupadamente, quase como se estivesse brincando em estúdio na época do The Jacksons com seus irmãos, se descontraindo, com uma faixa que, sabia ele, ficaria arquivada.
Justin Timberlake, assim como Usher, é um dos artistas atuais que trazem a inspiração de Michael consigo até o final e ainda assim possuem talento para conseguir brilho próprio.

02. Chicago
Em uma perfeita sincronia, esse Michael decepcionado com uma garota sacana e mentirosa cedeu vocais tanto agressivos quanto tranquilos, o que contrastou lindamente durante o refrão da canção. Mesmo sendo ótima, está longe de ser uma das mais aclamadas do novo álbum. Ainda assim, os produtores fizeram um excelente trabalho na pós produção da versão final.



03. Loving You
Extremamente bem sincronizada com uma melodia que parece se agarrar ao ritmo da voz de Michael, "Loving You" sem dúvida é uma das melhores e mais carismáticas do álbum. Diferente de "Love Never Felt So Good", aqui os vocais de Michael estão mais audíveis e, possivelmente, mais profissionais. À minha vista, esta canção escapou por pouco de entrar na seleção de algum álbum oficial de sua carreira. Embora repetitivo, o refrão conta com o cruzamento entre o vocal de improviso de MJ junto a seu vocal principal, e isso fez toda diferença, tornando a canção prazerosa de se ouvir. A nova versão ficou tão boa quanto a demo original, o que é excelente.

04. A Place With No Name

Ainda em 2009, pouco após a morte de MJ, pudemos ouvir uma breve versão demo, vazada pelo site TMZ, desta canção, algo em torno de 24 segundos que trazia apenas o refrão da canção, até então, desconhecida. Após entrevistas e notícias, comprovou-se o que já se suspeitava: o nome, assim como o ritmo e a melodia do trabalho, havia sido retirado e inspirado na faixa "A Horse With No Name", clássico de 1972 da banda America. A banda, é claro, sentiu-se honrada ao saber que Michael havia gravado uma música inspirado em seu trabalho e torceu para que o Espólio do artista logo soltasse a versão remasterizada para todos os fãs de MJ.
Na versão pós trabalhada pelos produtores, o (praticamente) sample da música da banda foi excluído, dando lugar a nova instrumentagem e sonoridade, permitindo que a voz de MJ, mais uma vez remasterizada e em alta definição de som, pudesse passear melhor e se enquadrar na canção como devia.

Sabendo como Michael sentia-se orgulhoso de ser pioneiro em diversos campos e que jamais lançava trabalhos inacabados, duvido muito, se vivo, que ele lançaria a versão demo (que é quase um copy+cola da música da banda America) como material inédito, portanto os produtores fizeram um bom trabalho na remasterização da faixa.

05. Slave To The Rhythm
Mais dançante na demo vazada na web do que na nova versão, "Slave" poderia ter ficado bem melhor se mantivessem alguns poucos traços da demo original. Embora a música tenha sido arquivada na época do arrebatador Dangerous, de 1991, a nova versão pós produzida deixa a faixa com cara de que foi engavetada em alguma sessão de estúdio de Invincible, em 2001, em algum ponto entre as gravações de 2000 WATTS e Heartbreaker. Os lindos e empolgantes vocais de Michael novamente são deixados em destaque, ao som de uma batida eletrônica mais tímida do que convidativa. Analisando por outro (bom) lado, pelo menos aquela versão abafada e popeletronizada com o Justin Bieber (que foi deletada do site YouTube pela própria Sony, alegando violação de direitos autorais) ficou de fora, um alívio para os fãs de Michael.

06. Do You Know Where Your Children Are
O excelente groove chamativo com o riff de guitarra 
(que até relembrava um pouco o rock de "Dirty Diana") que acompanhava a versão vazada na web nos últimos anos foi retirado, dando lugar a mais som eletrônico do que o álbum precisa. No entanto, os vocais de MJ foram mantidos mais clean e audíveis, o que satisfaz qualquer fã ou amante de um bom pop.
A letra faz alusão a abuso sexual de menores, com um refrão que faz uma pergunta direta a quem tem filhos "você sabe aonde estão seus filhos? Porque já passou da meia noite. E eles estão em algum lugar dessas ruas, já imaginou como eles devem estar com medo?" e é um prato cheio para os tablóides e críticos amadores cutucarem Michael o ligando novamente às acusações que ele enfrentou, que já foram vencidas, desmentidas e enterradas.

07. Blue Gangsta
Inicialmente vazada com o simples título de "Gangsta" em 2006 e, posteriormente, vazando novamente em qualidade superior como "(No Friend Of Mine) Gangsta", a faixa lançada em Xscape é trabalhada em cima da terceira e última versão demo vazada na web, em 2010, que manteve o mesmo título de "Blue Gangsta". Os produtores, em especial Timbaland, adotaram um tom mais sinistro e melancólico a canção, diminuindo as pancadas frequentes da original, deixando claro como Michael se sente um triste gangster, após ter seu coração partido por alguma garota parte de seus relacionamentos passados. Longe de ser uma faixa dançante, a produção deixou clara a intenção de manter bem audível e apresentável os vocais agressivos e estridentes de Michael, o que, por si só, já torna a faixa uma ótima pedida.

08. Xscape
A meu ver, a versão demo que vazou na Internet em 2004 conhecida por todos os fãs e caçadores de raridades já era perfeita para um lançamento, sem precisar de retoques ou mudanças. Esta versão continua no álbum, em seu pacote Deluxe, porém a remasterizada e recém trabalhada foi alterada, mudando drasticamente a melodia da canção, mas ainda não diminuindo sua qualidade como música. O ritmo adicionado a seu refrão lembra bastante o sopro de trombones do refrão de "The Way You Make Me Feel", clássico de Bad. Mais uma vez, como em todas as versões novas das demos, o vocal de MJ foi mantido em destaque, mais limpo e claro.
Analisando a sonoridade e estilo da faixa demo original, desconfiava-se que a canção era arquivada do álbum Invincible, lançado três anos antes do vazamento da música. E, posteriormente agora com Xscape, se confirma a suspeita, com MJ dizendo um breve "Darkchild" (assim como fez em "You Rock My World") logo no início da música, que é o nome do produtor responsável pela faixa original durante as sessões de Invincible.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Buchecha volta repaginado em Adesivo!

Novo álbum do artista chegou em fevereiro e já conta com turnê e DVD marcados


Desde o fim do mês passado, o cantor Buchecha havia anunciado que um novo álbum estava em produção para ser lançado em 2014. Como carro chefe de divulgação, a nova música "Frutilly" (em alusão ao antigo sorvete da Kibon) foi apresentada por Buchecha nas rádios do país e em programas de auditório na televisão, o que deixou claro que seu estilo melódico dos tempos com o parceiro Claudinho ainda estava presente. Porém não é o que se pode dizer do restante do álbum do qual a música faz parte, Adesivo, lançado em fevereiro deste ano.


O cantor classifica o novo projeto como uma "volta as origens," com um som no estilo de quando a dupla Claudinho & Buchecha estourou, mas é claro que não seria possível fugir, ao menos não totalmente, do novo funk melody que toca nas rádios do Brasil. Os produtores dos novatos Anitta e Naldo trabalharam no disco, o que fica claro em faixas como "Mo Mo Mo" e "Faz Pirar," carregadas de um estilo mais eletrônico do que o melody propriamente dito, lembrando um dos últimos hits "Hot Dog." Buchecha revelou em entrevistas que, além de Lulu Santos e Michael Jackson, a inspiração principal para a formulação do álbum é o som da banda Black Eyed Peas.

O repertório, em seu geral, é mais apelativo e picante do que os álbuns da dupla que conquistou o Brasil em 1995. As letras estão mais fortes, com palavras que antes Buchecha não usava com tanta frequência em seus singles. Ainda assim, como o cantor já confessou em entrevistas, é possível ouvir que o dicionário continua um forte aliado nas composições do artista, pois palavras pouco utilizadas em nosso vocabulário como "refulgem", "debalde" e "tropel" aparecem nas canções, substituindo mas não ficando por baixo o "adjudicar" e "hospedar" de "Nosso Sonho" e hits mais antigos.

O rapper norte americano Flo-Rida (mais conhecido no Brasil por seu hit "Good Feeling," que samplea a voz da eterna Etta James) mostrou-se interessado em gravar com algum artista brasileiro, e Buchecha foi o selecionado. Embora não tenha havido encontro entre os dois e os vocais tenham sido gravados separadamente, "Baile em Miami" mescla versos em português de Buchecha junto com os versos acelerados em inglês de Flo-Rida. A cidade Miami é comentada no refrão e no título por motivos óbvios: é lá que nasceu o 'miami bass,' batida frequente que originou o chamado funk carioca em terras brasileiras e teve a dupla como uma de suas mais famosas estrelas.

Que Claudinho & Buchecha já cantaram hits de outros artistas, como Lulu Santos ("Tempos Modernos" - 1996) e Marina Lima ("Uma Noite e Meia" – 1997) não é novidade para os fãs e admiradores mais dedicados. Porém a surpresa do disco fica por conta de "Lua," versão do sucesso de Fábio Jr. Com um ritmo mais acelerado e dançante, Buchecha trabalhou na canção e não deixou por baixo da original do pai do Fiuk.

O destaque fica com a produção de Clauci Júlio, melhor conhecido como Buchechinha, filho do astro. Buchechinha ajudou a produzir grande parte das faixas, além de estrelar um dueto com o pai na romântica "Pensamentos Voam," de longe uma das melhores canções do disco.

O trocadilho da bem humorada "Cor Sim, Cor Não," que fala sobre a infidelidade da namorada do pobre dito cujo do refrão, pode remeter os fãs a "Berreco," de 2000, que tem um tema semelhante e também bem divertido (é o boi... é o boi...) porém nem de longe possui a mesma qualidade e ritmo da antecessora, ficando facilmente entre as menos aclamadas do álbum.

Em "Princesa Funkeira," Buchecha canta nomes de comunidades e favelas do Rio de Janeiro, na qual algumas, como Coronel e Salgueiro, foi lar do próprio nos tempos de infância e adolescência. Essas citações pode se considerar realmente uma volta às origens do cantor, já que é comum entre os MCs, principalmente nos anos 90, cantar raps citando diversos nomes de comunidades, como Buchecha já fez com Claudinho na reveladora "Rap do Salgueiro" e "Rap da União," e outros como Cidinho e Doca, William e Duda, e Bob Rum, já fizeram em outros sons.
[ATUALIZAÇÃO: 13/03/14]: No dia 11 de março, a Warner soltou a música como single do disco, confira, clicando aqui, o vídeo postado pelo próprio Buchecha nas redes sociais.

Talvez como um apelo a popularidade e divulgação do disco, Buchecha divide o remix de  "Gamou" com o polêmico e nada musical Mr. Catra, figurinha carimbada em bailes funk e "obras" que não soam em nada como música. Ainda assim, era esperado que algum MC do desprezível funk carioca atual, que cita sexo, ostentação e dinheiro, fosse aparecer em alguma peça com Buchecha, pois, afinal, é uma vertente (ruim) do (bom) ritmo que ele faz.

Em resumo, Adesivo é um bom álbum que, embora não esteja entre os melhores álbuns de Buchecha, tanto solo como com o parceiro Claudinho, é um ótimo trabalho para se ouvir e se adquirir agora, pois ainda é superior, e muito, que Anitta, Naldo, Koringa e outros que fazem funk melody atualmente.

Aos interessados, o álbum está disponível a se ouvir completo e gratuitamente no site Deezer, e à venda nas lojas e sites de compras na Internet. Abaixo, assista ao clipe de "Frutilly," lançado pouco antes do álbum.



segunda-feira, 20 de maio de 2013

GameAnálise:
The Walking Dead: Survival Instinct

Parece que tudo que envolve o nome The Walking Dead atualmente é sinônimo de sucesso e qualidade. Os gibis da saga bateram as vendas das gigantes Marvel e DC Comics em 2012, o seriado produzido pela AMC que acaba de finalizar a terceira temporada é recordista de audiência e o primeiro game baseado em sua história ganhou prêmio de Game do Ano também no ano passado. Embora Survival Instinct tenha sido até mais esperado que o já premiado game anterior, dificilmente podemos considerar que o título provou-se merecedor de tamanha expectativa.
Para os amantes da série, o game já anunciava um fato tremendo: Daryl Dixon, um dos personagens mais adorados da série, é o protagonista de “Instinto de Sobrevivência,” ainda com dublagem original do ator Norman Reedus. O enredo promete contar o que aconteceu antes que ele e seu irmão casca grossa Merle, dublado pelo ator da série Michael Rooker, encontram o ‘xerife’ Rick Grimes e todo o resto dos sobreviventes em Atlanta como já mostrado pela primeira e segunda temporada exibidas na TV. Pela curiosidade, sim, o game vale, mas somente para os fãs de Daryl e do seriado.


Comandos e Jogabilidade

Jogado em primeira pessoa, acompanhamos Daryl em busca de seu irmão Merle através do apocalipse zumbi que assola o planeta. A proposta do jogo é manter o clima do seriado, aonde deve-se sair em busca de suprimentos nos locais abandonados em meio a errantes que sentem seu cheiro, escutam ruídos e te cercam sem piedade. Portanto, a execução stealth dos zumbis é essencial para não atrair uma horda pra cima de você, que já pode se complicar se for cercado por dois ou mais deles.
Os movimentos de Daryl são os típicos de qualquer game de tiro em primeira pessoa. É possível pular, agachar, andar agachado e correr em disparada. A interação com os objetos é bem baixa, não sendo possível abrir gavetas, armários, malas, mochilas ou carros.

A movimentação dos personagens é altamente mecânica e robótica. A repetição do movimento que os zumbis fazem após receber o mesmo golpe incomoda por parecer não haver física no game. Após um zumbi ser abatido, ele cai como um boneco no chão sem aparentar estar realmente sofrendo danos.
As armas que podem ser utilizadas para combate vão desde armas brancas (como faca, machete, machado, cano, taco de beisebol) até armas de fogo (como pistolas, espingardas, metralhadoras), claro que contanto com a presença da característica besta e suas flechas como vista na TV. Embora seja convidativo carregar estas armas e abrir fogo sem pensar duas vezes contra os inimigos, o monte de zumbis que brota do seu lado para te cercar é desanimador. Isso mesmo, você não atrai zumbis que estão nas redondezas do cenário. Caso você faça um ruído alto, seja um alarme de automóvel ou disparo de arma de fogo, irão brotar errantes ao redor do local para te cercar até que você esfrie a cabeça e passe a eliminá-los silenciosamente sem atrair atenção. Sendo assim, as chances de se utilizar livremente as munições e as armas são praticamente nulas, pois o game te força a prosseguir matando os errantes no modo stealth.


Toque de sobrevivência



Durante a jogatina, Daryl e os sobreviventes seguem cruzando o país de carro, o que pode lhe acarretar problemas como pneu furado ou carburador quebrado. Estas paradas forçam o jogador a sair do carro em busca da localidade mais próxima a procura do objeto para manutenção do veículo e prosseguimento da viagem até o objetivo principal. Em todas as paradas, a exploração é essencial, pois é preciso reunir galões de combustível para seu veículo não morrer em plena estrada. O que acaba por chatear é que os locais se repetem com frequência, alternando apenas objetivos e períodos do dia. Por exemplo, você pode ter explorado uma fazenda em busca de comida e gasolina de dia, mas caso seu carro quebre a noite e seja necessária uma varredura por solução, é possível que caia exatamente o mesmo cenário, apenas com a mudança de objetivo. Essa falta de variedade de cenários extras diminui a vontade de se aprofundar mais na exploração dos locais.

A cada término de objetivo principal, uma localização é criada automaticamente no mapa como guia para o próximo objetivo, o que pode ser um lugar que prometeram abrigo e segurança ou um palpite de local seguro para passar a noite. Neste momento, o jogo te concede três opções de rota: backroads, streets e highways. Ou seja, você pode optar por viajar por atalhos (backroads), de modo que gaste menos gasolina e amplie as chances de se encontrar suprimentos, pelas ruas comuns (streets) cuja rota equilibra gasto de combustível e chances de se quebrar o veículo, e pelas estradas e rodovias asfaltadas (highways) as quais fornecem uma rota mais rápida sem paradas por suprimentos porém o força a parar para procurar combustível com mais frequência.


O modo campanha do jogo é curto, não totalizando mais que 06 horas de duração.


A cada parada, você vai encontrar diversos sobreviventes pedindo por ajuda, como enfermeiras, estudantes e policiais dispostos a prosseguir viagem com você. No entanto, dependendo do espaço que você tem de assentos disponíveis no seu atual veículo, é preciso dispensar alguns deles.  Toda vez que se inicia um exploração, eles ficam disponíveis para te ajudar, seja a procura de combustível, comida, medicamentos ou cartuchos de balas, munidos com uma arma de sua escolha. Ainda assim, o game não desenvolve nenhuma espécie de laço entre o jogador e os sobreviventes nada carismáticos, o que frisa ainda mais a ausência do drama e emoção que o seriado tanto fincou em seus fãs. Logo, levar ou não os sobreviventes com você é apenas uma estatística, nada que prejudique nossa decisão.

Lançado para PC, PS3, Xbox 360 e Wii U, The Walking Dead: Survival Instinct é um jogo mediano de matança de zumbis de ação e aventura em primeira pessoa. Não chega a ser péssimo, mas por conta de toda a expectativa dos fãs poderia ser bem melhor. Se você é fã de apocalipses provocados por morto vivos, provavelmente vai curtir a aventura. Já se você é fã de Daryl e Merle Dixon e do seriado da AMC, vale ainda mais a pena a jogatina por conta de curiosidades e para se descobrir o que aconteceu antes dos irmãos conhecerem toda a turma do seriado.

No mais, caso seja preferível aquela sensação de sobrevivência que este game prometeu e não cumpriu totalmente... já ouviu falar em Dead Island?

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Versões (Des)conhecidas #01:
I Will Always Love You

“And IIIIIIIIIIIIIII will always love you youuuu...”

Você pode até não conhecer a cantora, o filme ou o título, mas com certeza já ouviu e até já cantarolou o refrão da excelente “I Will Always Love You”.


Poucos sabem, talvez pelo estrondoso sucesso desta versão, porém a gravação original não é a que todos conhecem. Abaixo seguem os detalhes.


Versão Original

 A canção “I Will Always Love You” foi originalmente gravada por Dolly Parton, no ano de 1973 (ouça pelo vídeo abaixo). Parton compôs a canção para seu ex marido, do qual na época estava se divorciando, talvez seja por isso que a forte letra romântica e sincera tenha impactado tanto. Embora o sucesso tenha sido grande e a música bem recebida pelo público e pelos críticos, nada se comparava a futura versão que ainda estaria por vir.







Versão Cover

Whitney Houston, uma das vozes femininas mais belas e poderosas a espanar a década de 80 com canções já consagradas (Greatest Love of All, Saving All My Loving For You, You Give Good Love), regravou a canção de Parton 19 anos depois, em 1992, como parte da trilha sonora do filme O Guarda-Costas, estrelado pela própria cantora e pelo ator Kevin Costner. O que já era sucesso acabou sendo épico em sua voz, e “I Will Always Love You” tornou-se um dos singles mais vendidos de todos os tempos, sendo muitas vezes mais lembrada do que o próprio filme do qual fez parte!






Controvérsias


Tablóides noticiaram na época que a cantora original Dolly Parton não iria mais apresentar a canção enquanto a cover de Houston estivesse nas paradas de sucesso. Posteriormente o rumor foi desmentido pela própria Parton, em entrevistas concedidas para a imprensa, aonde ela afirmou que amou a canção que compôs na voz de Whitney.


Após a morte de Whitney Houston em 2012, Parton se pronunciou com as seguintes palavras: “Sempre serei grata pela linda performance que ela criou de minha música e posso sinceramente dizer do fundo do meu coração; Whitney, eu sempre te amarei. Sentiremos saudades.”


E você, o que achou de ambas versões e qual a sua preferida? Deixe seu comentário!

sábado, 8 de setembro de 2012

Meu Amigo Michael, de Frank Cascio

Livro revela lado particular de Michael que nem mesmo os fãs conheciam e 'limpa' ainda mais sua imagem deturpada construída pela mídia.

Pela sinopse já se nota. Mais um livro lançado por uma pessoa próxima de Michael Jackson. Como de costume, os fãs que inicialmente se interessam pelo assunto, acabam por cair em desconfiança. Será um relato verdadeiro? Será que vai contar mentiras a respeito do astro? Será que é mais um alguém aproveitador querendo lucrar em cima da imagem caricata que montaram de Michael ao longo dos anos? Será que vai acabar por denegrir mais ainda o astro?

Capa do lançamento em solo brasileiro.
Eu, como fã, tive o mesmo pensamento de início. Ao menos, o sobrenome do autor me trazia esperanças de que o conteúdo era fiel: Cascio. Após a morte de Michael, soube-se que a família Cascio era bastante íntima dele e que, só não se sabia disso antes publicamente, porque o próprio Michael e a família concordavam de manter tudo em sigilo, por segurança de ambos. O nome Cascio me era familiar por conta do último álbum oficial lançado em 2010, intitulado somente de “Michael”. No making of da produção do disco, Eddie Cascio havia produzido algumas faixas, como Breaking News e Keep Your Head Up, além de ter dito boas palavras sobre o amigo famoso. Eddie é irmão de Frank Cascio, autor do livro. Para mim, isso era um bom sinal.

Na realidade, sem Michael entre nós, toda obra sobre ele, até mesmo positiva, acaba tornando-se duvidosa, por conta de que seus autores podem muito bem citar o que quiserem ou entenderam de situações sem que o próprio dono do tema possa confirmar ou desmentir o que foi publicado. Cabe ao bom senso e escolha de cada fã decidir o que ler e levar a frente, o que acaba sempre causando divergências entre os grupos de admiradores de Michael.

Nesse caso, uma coisa é certa: Frank não teria porquê publicar e contar tantos momentos positivos a respeito de Michael Jackson. É comprovado que o que mais vende e dá dinheiro sobre o astro são mentiras, notícias de tablóides sensacionalistas e, principalmente, material falso que destaque seu relacionamento com crianças. Qualquer ponto que possa levantar suspeitas sobre Michael Jackson é altamente rentável desde o fim dos anos 1980. No entanto, Meu Amigo Michael é totalmente o oposto.

Frank conta com detalhes sua vida com Michael, partindo do ponto que conheceu o astro em 1984, até então apenas uma criança de 4 anos de idade. Livre da visão de magnificência de Jackson lenda que o público de fora usualmente carrega, Frank pôde conceder um relato íntegro e imparcial sobre Michael e suas experiências com ele. Diria que as partes que merecem destaque são, por razões óbvias, as que narram

• como Michael lidou com as acusações de 1993 e 2003;
• como se envolveu com as famílias Chandler e Arvizo;
• os processos judiciais em geral;
• o julgamento do século;
• as turnês;
• a produção do disco
Invincible e gravação dos curtas de One More Chance e Unbreakable;
• o acidente durante a performance de Earth Song no Michael Jackson & Friends


e mais, tudo relatado sob uma visão protegida do estrelato de Michael, citando-o apenas como um amigo íntimo, o que torna todo o livro bem mais cativante e envolvente. Frank despeja momentos duros, tristes, revoltantes e brigas que Michael teve que passar em sua vida, mas também ocasiões alegres, felizes e até engraçadas, demonstrando com fidelidade como Michael era simplesmente uma pessoa comum e humilde, que aconteceu de ser o maior artista de todos os tempos com um talento descomunal, mas ainda assim tinha em mente apenas a vontade de fazer bem para a humanidade e para o planeta, mesmo sendo crucificado por conta de acusações falsas e vítima de escárnio popular. Muitos de fora carregam opiniões de que Michael era ingênuo e infantil, mas certos relatos de Frank desmentem alguns pensamentos, ao mesmo tempo que comprovam outros.

Além das mais de 300 páginas, o livro traz fotos inéditas de Michael com a família Cascio, provenientes do acervo pessoal de Frank, Eddie e da família como um todo (segue uma delas abaixo)

No entanto, é muito possível que alguns acontecimentos e histórias sobre Michael que Frank conta sejam difíceis de acreditar para alguns fãs, cogitando se são realmente verdadeiros ou fantasias do autor. (mesmo não tendo motivo para tal feito)

Primeira foto de Michael Jackson
com Frank Cascio, em 1984,
do acervo pessoal do autor.
No geral, o livro Meu Amigo Michael, juntamente com o documentário em vídeo A Vida de Um Ícone, são as maiores provas lançadas oficialmente que temos para mostrar o verdadeiro Michael Jackson para os leigos e ignorantes.

No início e durante a obra, Frank Cascio cita frequentemente Michael Jackson como um pai, um filho, um irmão e um amigo.

Mas, na real, ele não era isso tudo apenas para ele, mas também para milhões de pessoas, mesmo não sendo do modo convencional, algo que o próprio Cascio acaba por reconhecer após junho de 2009.

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sábado, 19 de maio de 2012

Análise: Who’s Bad – The Ultimate Michael Jackson Tribute Band

Com três shows em solo brasileiro, a banda (traduzindo literalmente: A Maior Banda Tributo de Michael Jackson) apresenta um espetáculo digno para o maior artista da música internacional que já viveu


Estive na noite de quarta-feira, dia 16/05, no bairro de Pompéia, São Paulo, na apresentação da banda norte americana Who’s Bad, cujo repertório é totalmente composto das melhores canções da carreira de Michael. Com o objetivo de perpetuar (ainda mais) as músicas e trabalho de Michael Jackson, a banda é integrada por dois back vocal, também dançarinos, dois covers de Michael (que variam as músicas), um baterista, um baixista e um guitarrista. Todas as canções são apresentadas ao vivo, sem nenhum CD ou MP3 de Michael rolando de fundo. Os cantores, sempre vestidos a la Michael, apresentam um vocal diferente do original de Michael, mais puxado para o lado do jazz, bem americanizado. As coreografias, embora algumas vezes modificadas, são executadas em perfeita sincronia e correspondem muito as originais.
Sem palavras também para os músicos que tocaram os instrumentos, em especial ao baterista, que dá um show a parte ao final de Black or White!

O repertório da banda traz os maiores sucessos de Michael, espanando desde o medley de Jackson 5 até as mais recentes They Don’t Care About Us e Earth Song.

O baterista Darion Alexander
O que me surpreendeu foi a performance de uma canção que Michael nunca performou ao vivo, a pérola às vezes abandonada do álbum Thriller: P.Y.T. (Pretty Young Thing). É muito bom poder acompanhar uma canção nunca apresentada ao vivo por Michael, pois, para quem já é fã de longa data e sabe os passos de cabeça, é satisfatório assistir uma nova coreografia baseada nos movimentos do artista, e acredito que tenha sido este o motivo dos dançarinos de apresentá-la na performance.

O que estranhei de inicio mas depois me conformei foi o figurino e aparência adotada para alguns números. Um bom exemplo é a primeira aparição de um dos dois covers, em Rock With You. A visão que vem na mente dos fãs e dos admiradores ao ouvir aquela introdução de bateria é o Michael adulto, com 21 anos, black power e traje brilhante, mas no lugar o cover entra no palco com um terno semelhante ao utilizado por Michael em meio ao julgamento de 2005, incluindo o óculos escuros e o cabelo liso no ombro. Vendo por outro lado, acredito que o propósito da banda neste quesito foi o de inovar, não apresentar o que muitos covers e homenagens a Michael já fazem com freqüência, e conceder uma novidade ao público.

Joseph Bell, um dos covers
de Michael Jackson
Outra diferença das já famosas performances foi na apresentação de The Way You Make Me Feel. O dançarino convida, de inicio, várias “garotas bonitas” para subir no palco, mas o público todo que se senta próximo ao palco na parte baixa do teatro obedece, inclusive crianças. O cover então dá espaço para cada um mostrar suas habilidades artísticas executando os famosos passos de Michael, enquanto as garotas interagem com o artista imitando, é claro, a modelo Tatiana Thumbtzen no clipe da música.

O grupo, além de muito talentoso, demonstra simpatia e afeição, parando várias vezes entre as canções para cumprimentar e conversar com o público. É claramente uma distração para que o palco e o outro cover se preparem para as próximas danças, mas os agradecimentos e elogios a Michael Jackson cativam, fazendo com que o público interaja e obedeça as palavras do cover, quando este pede para gritar, bater palmas etc, e demonstrar seu carinho e amor a Michael.

Enfim, a coreografia modificada de Smooth Criminal e alguns figurinos que não correspondem a música tocada não influencia no enorme talento dos integrantes da banda, e na intenção de perpetuar e divulgar a carreira do mais extraordinário e completo artista de todos os tempos. Who’s Bad: The Ultimate Michael Jackson Tribute Band é um show digno a Michael, feito por fãs para fãs, e só por este lado já merece a atenção e presença dos fãs e admiradores.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O fim do mundo... da música.

Com mais uma morte precoce de mais uma artista fenomenal, podemos muito em breve estar com (ainda maior) falta de talento no mundo da música


O líder da banda Queen, Freddie Mercury, faleceu no ano de 1991. Antes dele, o ex-beatle John Lennon nos deixou em 1980. Um ano depois, foi a vez de Bob Marley. O Rei do Rock Elvis Presley se foi em 1977. O Padrinho do Soul James Brown em 2006. O maior recordista de todos, Michael Jackson, amargou o ano de 2009. Uma pérola do blues, Amy Winehouse, se foi em 2011. E semanas atrás perdemos o talento imprescindível da eterna diva Whitney Houston. Claro que todas estas mortes foram tragédias para a música, mas acredito que elas são os tijolos que pavimentam a maior que está por vir.
Acontece que o planeta está ficando sem talentos para o público adorar. Digo talentos, não cantores descartáveis. Temos bons e ótimos artistas atualmente, mas a morte precoce dos fenômenos que os inspiraram nos deixa a mercê de um mundo musical aonde a aparência, o marketing e a baixaria são as escadas para o sucesso. Os artistas com talento de verdade não são considerados pelo grande público, e os que tem algum talento não são nem um pouco parecidos com seus antepassados.
E o mais irônico é que o público só se lembra dos mitos depois que já se foram. Whitney Houston está novamente no topo da Billboard e entre os artistas mais ouvidos na Inglaterra.
A pergunta que fica é por que não damos valor aos verdadeiros artistas enquanto eles estão vivos para receber nossa gratidão e amor por ter nos entregado um trabalho tão lindo e tocante? Por que é preciso que a lenda deixe de ser viva para que voltemos a apreciar sua tão perfeita obra? Será que é preciso um choque para que o público perceba que estamos deixando partir os melhores de formas trágicas e retorne a lhes dar valor?
Será ainda que, mesmo após tantas mortes consecutivas, prematuras e recentes, iremos permitir que lendas como Lionel Richie, Celine Dion, Stevie Wonder, Paul McCartney, Cyndi Lauper, Phil Collins, Tina Turner entre mais partam antes que possamos dar ouvidos a suas obras maravilhosas? O pior é que sabemos que é exatamente isso que vai acontecer, e para pessoas que amam música de coração é doloroso demais assistir de camarote nossos ídolos de verdade nos deixando enquanto o público responde com total indiferença dando atenção à mediocridade e obscenidade.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A arte de criar legendas

Sim, a responsabilidade daquela pessoa que digita as palavrinhas debaixo do filme é enorme. Saiba porque.


Passei a utilizar internet em casa por volta do ano de 2004. Em 2005, tornei-me fã de Michael Jackson (devido meu interesse em aprender inglês). Usando conexão discada, sempre quis transmitir a mensagem de suas músicas para o Brasil, de modo que quem fosse assistir não precisasse conhecer o artista ou a canção, bastasse ler a tradução e já saber seu significado e, deste modo, conceber uma breve idéia de quem é o artista. Mas, por conta da limitação de velocidade da conexão, foi só em 2007 que consegui postar meu dois primeiros vídeos legendados no YouTube, numa extinta conta de nome “mikejermaine.” (vídeo clipes Man In The Mirror e Leave Me Alone)

Desde este aquele ano até então, ano de 2012, já postei na web mais de 400 vídeos legendados em relação a Michael Jackson, nos sites como YouTube e 4shared. Alguns circulam com os créditos retirados, outros em contas de terceiros. Como já traduzi outros assuntos, outras pessoas postam e compartilham os vídeos e existam vários sites de vídeos (Google Video, YouTube, UOL, 4shared), acredito que o total de traduções que já postei na web ronda a casa dos 700 ou 800 vídeos.

Mas foi a partir daí, principalmente por conta das críticas e elogios de quem assiste, que comecei a perceber a responsabilidade que carrega uma pessoa que realiza tradução. Não só legendas, mas traduções em geral.

No caso de vídeos (em geral, inclusive filmes, trailers, entrevistas, documentários) o tradutor deve tomar extremo cuidado para não traduzir algo errado. Não digo somente de erros que acontecem por digitar ou traduzir errado alguma palavra. Acontece principalmente devido a fala do vídeo. Deve-se julgar, por exemplo, quando uma pessoa no vídeo está séria, bem humorada, formal, brincalhona, violenta, agressiva. Sim, o humor do interlocutor pode alterar a palavra certa que se deve traduzir sua sentença, pondo em prática aí o processo chamado de adaptação. Todo filme passa por um árduo processo de adaptação. Claro que nem todas as obras acabam por fim fiéis ou corretas ao que o personagem está realmente falando ou quer realmente significar.


O processo de adaptação envolve não só o humor da pessoa que será traduzida, mas também a cultura local, no caso, a brasileira. Supondo que em uma cena de algum filme de ação americano, o maior e mais violento traficante de Los Angeles grite para alguém “Get the fuck out of here!” (algo como vá embora daqui) Traduzindo-a literalmente, o palavrão da frase já a deixa sem sentido, tendo que ser removido... ou não, se não for literal. Avaliando o humor e personalidade do personagem, seria possível que um gangster deste cacife gritasse tão formalmente um “vá embora daqui”? Ou, levando em conta seu humor e ainda a cultura local do Brasil, ele não teria dito um singelo “CAI FORA DAQUI, P*RRA!”? No entanto, a mesma sentença pode ser proferida por outro personagem do filme, digamos que por um amigo que foi surpreendido por um presente inesperado de outro cara. Pelo tom de sua voz e humor espalhafatoso, já não seria possível que ele dissesse a mesma coisa que disse o traficante da cena anterior, mesmo que seja a mesma frase em inglês, exatamente por ter sido utilizada como gíria.

Já no caso Michael Jackson, o serviço mais específico que executo, é necessário muito coração. Coração de fã, eu digo. Sem querer insinuar que tenho o maior coração de fã do mundo, mas deve-se escolher com atenção e seleção as palavras corretas a traduzir seus discursos, entrevistas, diálogos em filmes etc, pois quando Michael fala não é como uma pessoa qualquer. Ele seleciona muito bem as palavras que profere, passa uma tamanha personalidade através da voz e é por isso que é necessária total atenção e até mesmo conhecimento de quem é a pessoa Michael Jackson para que a tradução saia satisfatória tanto para fãs quanto para pessoas que o conhecem por ouvido.

Quem cria legendas serve de ponte para o conhecimento, por isso que se carrega uma grande responsabilidade, não só com o público que vai ler suas palavras no rodapé de algum vídeo, mas também com o interlocutor que está conversando em outro idioma no vídeo. Qualquer tradução errada pode acabar por levar as pessoas a interpretar a cena, entrevista, trailer ou diálogo de forma errônea, acabando por julgar errado a pessoa que teve a fala traduzida ou o próprio vídeo. Isso é inadmissível para quem traduz. Uma coisa é você servir de ponte direta e acessível para o entendimento e conhecimento e levar a mensagem do vídeo às pessoas, outra é você servir como um perigoso campo minado, porque, assim como minas, os erros são pequenos porém podem resultar em grandes estragos.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Arnaldo Jabor: crítica sobre Michael Jackson

Com críticas negativas e baseadas nos meios mais anti éticos possíveis, Arnaldo Jabor mostra ao comentar de Michael Jackson a dificuldade de se confiar em uma fonte informativa da mídia

Foi na Rede Globo de televisão que o antes considerado por mim jornalista Arnaldo Jabor resolveu soltar sua crítica a respeito do julgamento do já condenado médico cardiologista Conrad Murray, pela morte prematura de Michael Jackson.


Arnaldo Jabor é um dos mais reverenciados e inteligentes do ramo da crítica e jornalismo e, por ser afiliado da Globo, poderia buscar fontes de notícias concretas e confirmadas, mas não é isso que aparenta. Em sua costumeira crítica ao final do Jornal da Globo, Jabor soltou altos comentários negativos em relação a Michael Jackson, comentários estes retirados estritamente de tablóides e publicações de fofocas, focadas exclusivamente em divulgar matérias inventadas falsas e degradantes sobre o astro. Uma surpresa, pois não é o que se espera de um jornalista com o nível e experiência de Jabor.

Acredito que seu erro foi de embarcar naquilo que o povo quer ouvir. Sim, porque o fato dos tablóides serem mentirosos e a imprensa marrom¹ publicar criações pejorativas sobre Michael é conhecido somente pelos fãs mais ardorosos e conhecedores assíduos do artista. Para o público, considerado leigo e facilmente manipulado por essas revistas, este fato é praticamente nulo e não é levado em conta. Logo, o comentário de Jabor acaba causando sim muita má impressão de Michael Jackson para o público, com insinuações de que Jackson “quis ficar branco e até mesmo virar mulher,” os mesmos retirados diretamente de publicações de pouca credibilidade.

O que nos deixa a pensar que não existe jornalismo confiável. Se é isto que a Rede Globo leva ao ar, o que nos leva a crer que o resto da programação informativa é real?


¹ Imprensa marrom é o termo usado para classificar o tipo de jornalismo que se constrói baseando-se em informações falsas e inventadas, em sua grande maioria pejorativas e ofensivas, publicando-as em revistas estilos tablóides e de fofocas de celebridades.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Batman: O Cavaleiro das Trevas... pra sempre.

Com apetrechos tecnológicos e treinamento extensivo, Batman é o exemplo de que não é preciso super poderes para ser um super herói de sucesso contínuo.

É incrível como super heróis não saem da moda entre os jovens e até mesmo alguns adultos. Embora os personagens tenham sido inventados já há muitos anos, filmes, games, livros e gibis continuam as aventuras para novas gerações, que não deixam que o herói caia no esquecimento. Um bom exemplo é o já clássico Cavaleiros das Trevas, Batman.

O herói testemunha
Gotham City das alturas
O então menino Bruce Wayne, ao sair de uma peça de teatro com os pais numa fatídica noite, assiste seus pais serem assassinados a tiros por um assaltante na porta do teatro. Traumatizado e indignado com tal acontecido, Bruce usa seu dinheiro para viajar mundo afora, tentando compreender a mente criminosa e adotando e aprendendo diversos estilos de combate e de artes marciais, de modo que seu intelecto e força física tornem-se invejáveis. O que difere o super herói de outros personagens famosos como Homem Aranha e Super Homem é o fato de que Bruce não possui super poderes, apenas acessórios e utensílios tecnológicos, combinados com estratégia, inteligência e força, estes últimos dotes sendo adquiridos com treinamento e esforço. Além disso, Batman adota um estilo de combate bastante exclusivo, que é o de usar o medo do inimigo como vantagem em batalha. Poucos sabem que o maior medo de Bruce Wayne quando criança era morcegos, o qual surgiu ao cair em um poço e ser aterrorizado pelas criaturas noturnas até o encontrarem. Bruce aprende a confrontar e dominar seu temor, usando-o, juntamente com seu traje e suas armas, para se tornar Batman, o defensor de Gotham City. É bom frisar que, por conta de seus pais terem sido mortos a tiros, o herói despreza armas de fogo.

O ator Christian Bale,
atual Batman dos cinemas
Aparecendo pela primeira vez no ano de 1939, até hoje o super herói estrela novos materiais, com extremo sucesso. Nas telonas, desde 1989 os atores Michael Keaton, Val Kilmer, George Clooney e Christian Bale já viveram sob a pele do herói. No filme Batman Begins, lançado em 2005 e com o ator Christian Bale no elenco, reconta a história de como o milionário Bruce Wayne tornou-se o defensor da fictícia cidade de Gotham City, e foi um tremendo sucesso de crítica e público. Desde então, saiu em 2008 a continuação da saga intitulada O Cavaleiro das Trevas, com o super vilão Coringa sendo interpretado por Heath Ledger, o que lhe rendeu um Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante. Atualmente, espera-se o próximo filme a ser lançado em 2012.

Capa oficial do game
Batman: Arkham Asylum
Nos videogames, inesperadamente o personagem retoma o sucesso que havia carregado na época do console Super Nintendo, ao ser lançado o game Batman: Arkham Asylum, em 2009, para PC e os consoles Xbox 360 e Playstation 3. Com o Coringa como vilão principal e aparições secundárias de Harley Quinn, Charada, Espantalho dentre outros, o game faz com que o jogador utilize o intelecto de Bruce Wayne para decifrar enigmas e charadas de Edward Nigma, o Charada, e a força bruta para combater os capangas de Coringa, demonstrando diversos golpes e habilidades de Batman, enquanto percorre o terreno do hospício para criminosos Arkham Asylum. O sucesso foi tanto que o jogo foi premiado como Jogo do Ano em 2009 e teve uma versão especial lançada em 2010.

Capa oficial do game
Batman: Arkham City
Na continuação lançada em outubro de 2011, Batman: Arkham City traz uma melhoria significativamente grande para os jogadores brasileiros: o jogo inteiro é legendado em português do Brasil e traz menus, mapas e fichas totalmente traduzidos. Inclusive os troféus, dados de vilões e personagens etc estão absolutamente bem escritos e impecavelmente traduzidos, o que esclarece bastante a história do game para quem não domina o idioma inglês. A jogabilidade e modo de combate são basicamente os mesmos, com a diferença de que agora não existe apenas um vilão principal na história. Nomes famosos no mundo do Homem Morcego como o Coringa, Charada, Zsasz, o Pinguim, Duas Caras, Mulher Gato e Sr Frio dividem a mesma região de Gotham City que foi transformada em uma expansão do hospício palco do primeiro jogo, denominada pelos internos com o nome de Arkham City.

Em outras palavras, Batman é o super herói do momento. Apesar de outros super nomes como Lanterna Verde, Capitão América, Thor, Homem Aranha dentre mais terem seu espaço na mídia, é Batman que eclode toda vez que sai um novo game ou filme, batendo incríveis números de vendas e de bilheteria. E o melhor: surpreendendo não só os fãs de carteirinha do personagem, mas também quem procura assistir um bom filme ou jogar um belo game.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Rafinha Bastos e piadas de mal gosto

O caso da piada de mal gosto que virou manchete no país todo e pode acabar em multa e prisão

Ah, o humor! O humor é algo engraçado, literalmente. É uma área que, embora englobe o mesmo objetivo, fazer rir, há tantas divergências e tantos modos de se apresentar. Das trapalhadas dos Trapalhões e do Chapolin, aos moldes de Zorra Total e A Praça É Nossa e aos shows ao vivo de improviso e stand up, diferentes modos de se fazer rir. Pena que as pessoas que assistem esquecem que é este o propósito.

Claro que existem piadas e insinuações que passam longe de terem graça, apesar de depender muito de quem ouve. Afinal se alguém ri de uma piada sobre homossexual não significa que o sujeito seja homofóbico. Assim como os homossexuais tem que entender que também não significa que o contador da piada seja homofóbico. Você com certeza já riu de alguma piada sobre português, certo? Mas nem por isso você ou seu amigo que contou odeia quem é natural de Portugal e nem acha que sejam burros. As pessoas devem aprender a rir de si próprias, não concordando com algo preconceituoso ou ofensivo, e sim apenas por rir. É óbvio que existam piadas maldosas que não devem ser interpretadas desta forma, mas quando se é levado a altos níveis ultrapassando o que é mais importante e urgente, é errado.


Na bancada do CQC, programa da Band, Marcelo Tas comenta sobre como a cantora Wanessa Camargo, grávida, está bonita. Foi aí que o apresentador a sua direita, Rafinha Bastos, soltou: “comeria ela e o bebê, Marcelo Tas”. Poderia ser apenas mais uma piada idiota do Rafinha e ele poderia ter pedido desculpas no programa seguinte, como fez com Daniela Albuquerque, mas acontece que o marido da cantora é um empresário que tem laços financeiros com a emissora na qual aconteceu o incidente. Ou seja, é a velha história, se o amigo pobre bate no amigo rico da escola, o amigo rico tem poder pra fazer o que quer em resposta ao ataque, que nem sempre é mal intencionado. Foi realizado um processo na Justiça em nome do casal e do bebê que ainda está por vir, este último sendo retirado do processo por decisão judicial.

A produção do programa acertou por retirar Rafinha da bancada. Este por sua vez encaminhou sua carta pedindo demissão a emissora. Logo após a saída de Rafinha do programa, uma visível queda de audiência foi reportada por vários sites e jornais. Porém durante uma entrevista via e-mail com a Folha de São Paulo, Rafinha respondeu de modo grosseiro a uma das perguntas da editoria do jornal, o que subitamente mudou a reportagem relacionada, que passou a ser “CQC sem Rafinha Bastos mantém mesma audiência.” Isso demonstra como os jornais são capazes de distorcer os fatos de acordo com seu bel prazer. Por outro lado, Wanessa até então não havia se pronunciado. E cada passo das duas partes continua por virar manchete nos jornais, sites e colunas. Wanessa se pronunciou posteriormente dizendo que, se o comediante pedisse desculpas, ela retiraria o processo da Justiça. Pena que foi dito só depois de todo o estardalhaço feito em cima da piada. Todos entendem que na futura mãe o baque da piada de mal gosto é maior e mais danoso, porém a decisão de levar a Justiça algo que poderia ser resolvido sem tempestade nos bastidores, de modo mais saudável tanto para o casal quanto para o bebê, foi totalmente desnecessária, o que acaba resultando em uma súbita vontade de atenção. Por falar nisso, alguém lembra de algum álbum ou single recente de Wanessa Camargo tocando nas rádios ou na TV?

Rafinha errou, assim como todos erram em suas profissões, só que nem todos quando erram precisam pagar milhares em dinheiro e nem correm o risco de ser preso. Tampouco sofrem com hipócritas que dizem ser politicamente corretos mas assistem um show de entretenimento que visa fazê-los rir esperando um vacilo pra poder alfinetar o humorista ou denegri-lo de alguma forma.

Enquanto a mídia cobre o caso com total exatidão sem nenhuma necessidade, assuntos mais importantes que merecem maior atenção da população passam despercebidos. Pessoas opinam contra o apresentador, mas mal sabem o que se passou, levando em conta apenas que ‘ele falou e pronto’, sem conhecimento do caso nem das entrelinhas.

E o pior, o que o CQC realmente mostra, que é o descaso, despreparo e a corrupção dos políticos, é totalmente ignorado pela imprensa e pela própria população, que prefere comentar sobre como aquele humorista FDP deve pagar caro pelo seu erro, esquecendo, ou preferindo não encarar, que os que realmente precisam pagar caro riem a toa vendo como suas ações ilegais não são nada divulgadas e ainda assistem o público revoltado. Revoltado sim, mas não por conta de seus roubos dos cofres públicos, e sim por piadas de mal gosto. É aí que tudo vira uma verdadeira piada.